Xaxado: relembre as origens dessa dança do período junino

O Xaxado, assim como o Forró e o Baião, se mistura com o Cangaço. Muitos  pesquisadores afirmam que o xaxado é uma dança originária do alto Sertão de Pernambuco (regiões do Pajeú e Moxotó), enquanto outros creem que a dança é originária de Portugal e, ainda outros que sua origem é indígena.

“A dança de guerra”, como ficou conhecida, foi, por muito tempo, entretenimento dos cangaceiros, notoriamente do bando de Lampião, no início dos anos 1920, em Vila Bela, atual Serra Talhada. Na época, tornou-se popular em todos os bandos de cangaceiros espalhados pelos sertões nordestinos.

​O xaxado firmou-se como uma dança exclusivamente masculina, motivo pelo qual nunca foi considerado dança de salão. Os cangaceiros faziam da arma a dama. Dançavam em fila indiana, o da frente, sempre o chefe do grupo, puxava os versos cantados e o restante do bando respondia em coro, com letras de insulto aos inimigos, lamentando mortes de companheiros ou enaltecendo suas aventuras e façanhas.

​​A origem do nome xaxado vem de um determinado “ritual” realizado pelos agricultores naquela época. Sua ligação com o nome vem através da palavra sachar ou xaxar, costumes da plantação de feijão de arranca (típico feijão da região do sertão nordestino) onde acontecia todo um processo especifico para plantar e colher esse legume. Os movimentos realizados dessa plantação têm uma ligação com os rituais indígenas, isso vem através da miscigenação de raças, os movimentos realizados pelos agricultores são bem próximos com o da dança, sendo conhecidos como movimento base da dança xaxado: base, corta jaca e batido.

​A cantora e dançarina pernambucana, Inês Caetano de Oliveira, conhecida como Marinês & Sua Gente, levou a imagem do cangaço por todo Brasil ao lado do rei do Baião, Luiz Gonzaga. Vestida a caráter, como se fosse um dos membros dos cangaceiros, Marinês xaxou e cantou a música do cangaço por todos os cantos do País. Na fotografia ela aparece a caráter segurando um longo punhal de Cangaceiro. O  punhal faz parte do acervo do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

Foto: Sebastião Costa

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